COVID-19: funcionários da Ozelame Transportes e Turismo retratam os impactos e as incertezas em meio a pandemia

A chegada da Covid-19 fez com que o mundo inteiro buscasse novas maneiras de vivência, além de inovar na forma de trabalhar. O transporte coletivo é um dos setores que tem sofrido e muito com a chegada da pandemia. O serviço, que não pode parar por completo, continua atuando de forma consciente e segura para os usuários e colaboradores.

Em entrevista para a UniMídia, o responsável pelo tráfego da empresa Ozelame Transportes e Turismo de Caxias do Sul, Tiago Faqui, comenta que a rotina de trabalho mudou de forma brusca após o alastramento do Coronavírus. A empresa, que atualmente opera com 47 funcionários, teve que reduzir o quadro, dando férias para a maioria dos colaboradores.

“Hoje estamos trabalhando com 10% do nosso pessoal, tivemos que dar férias para a maioria dos motoristas, já que o fluxo de passageiros foi diminuindo, levando assim, à paralisação de muitos horários”, ressalta.

Além disso, a higienização dos coletivos passou a ser ainda mais severa, para evitar contaminação. “Em um primeiro momento reforçamos ainda mais a limpeza dos ônibus, antes e após o término de cada viagem. Além de orientar nossos colaboradores a trabalharem de forma segura com máscara, luvas e álcool em gel”, salienta Tiago.

Foto: Ozelame Transportes e Turismo

Os motoristas também têm sentindo sua rotina afetada após as mudanças na forma de trabalho. Há cinco anos atuando na área, Patrick Marcon, analisa que o momento é de cautela por parte de todos. “O maior cuidado é com a saúde dos idosos, que no meu caso, apesar de meus pais não serem tão idosos, fiquei praticamente 15 dias sem ver eles pessoalmente, já que trabalho em uma área de grande risco e preservo demais a vida deles” comenta.

Já para Gabriele Giusti, que trabalha a sete anos como motorista, o cenário atual é bem difícil. “Estamos em um momento complicado, porque a pandemia afeta todos os setores. Sem trabalho não existe passageiros e nós também não temos trabalho. Vivemos uma incerteza do dia de amanhã”, destaca.

Já, Patrick Marcon, questionado sobre as medidas que os governantes têm apresentando, tanto para o combate da doença, como para a melhoria da economia, pensa ser uma fase bem complicada para todos.

“É uma via de mão dupla, o risco de contaminação é grande e real, o vírus está aí, infelizmente vitimando muitas pessoas, mas temos também que pensar na economia do país sim. Um país sem renda, sem a economia girar, também gera; digamos que uma contaminação da “miséria”, infelizmente no mundo todo. Muitos necessitam continuar trabalhando para manterem suas famílias, essa é a nossa realidade”, destaca Patrick.

Já para Tiago, a expectativa de muitos empreendedores era para um 2020 de crescimento. Porém, com a chegada da pandemia, o cenário teve que ser alterado.

“O país em si já vinha se recuperando de uma grande crise econômica que foi sentida por todos os setores. E não está sendo diferente com a chegada do Coronavírus. Temos que nos manter em meio a uma incerteza econômica, mas confiantes em uma melhoria futura”, comenta.

Gabriele analisa que o momento é difícil, mas é uma etapa para aprendermos a dar valor para as coisas simples da vida, principalmente a família. “Vamos enfrentar para os próximos meses uma grande crise econômica, mas iremos superar. Em um mundo onde as tecnologias tomaram conta das nossas vidas, essa epidemia veio para nos mostrar o quão valioso é um abraço, um beijo, um carinho. Que tudo o que estamos vivendo sirva de grande lição para mudarmos nossa forma de viver”, frisou.

Jornalista
Schaiane Sacramento
MTE 19013